domingo, maio 08, 2005

Um dia de trabalho (ou tudo o mais que esse texto se propõe a dizer... ou não)

Cá estou eu, na minha rotina de segunda-feira... Quase sem comunicação com o mundo virtual exterior. Por isso, decidi me absorver nos meus pensamentos. Mas não sei bem o que eu estou pensando, ou sentindo, ou qualquer coisa assim. Não é ansiedade, não é saudade. Talvez seja algo parecido com vontade. Mas de quê? Sim, de muitas coisas, tantas que nem sei. Algumas coisas como ter, ser, poder e viajar. É, acho que viajar seria uma boa, já que faz tempo que não faço uma viagem legal de verdade. Lugares... Tem muitas opções. Com quem? Aí as opções já são bem mais reduzidas. Passar um final de semana que seja com alguém (ou alguéns) mais ou menos é para voltar querendo matar um ao outro... Ou não, porque também não estou sentindo raiva no momento. Pode ser bom conhecer melhor as pessoas...

Também não quero falar de coisas belas... nem sujas... nem nada. Então o que eu estou fazendo aqui? Escrevendo, gastando dedos? Também não há, no momento, poesia que me confunda, ou me deixe sem saber como dirigir. Acho que há tempos não me sinto um nada, como hoje... Mas não é um nada negativo. É um nada que pode ser tudo, que pode absorver, ser absorvido, mudar, crescer, e tudo o mais. Queria ter mais liberdade com as pessoas e viajar ao telefone, ou qualquer coisa, e que tivesse uma resposta tão viajante quanto as minhas indagações. Uma filosofia de botequim básica, mesmo se for em casa, e sem a bebida. Mesmo se for sobre o nada, ou sobre a vida, ou sobre tudo. Mas deixa isso para lá... (Eu não sou capaz de escrever "pra"... Às vezes, as pessoas têm umas coisas assim, meio sem explicação. Engraçado isso...)

Enquanto vejo o mundo dos outros, todos os dias, e escrevo mecanicamente, tenho medo de esquecer do meu próprio. Mas é um medo descabido. Sei disso. Às vezes, um dia mais ou menos deixa as coisas estranhas mesmo. Queria receber mais visitas! O dia passa devagar, os pensamentos param toda hora. Bloqueio! Mas quero fluir... Quero sair dessas coisas que me prendem, agora especificamente. Se ao menos houvesse interação, música, poesia... Mas não há, não nesse momento. E era tudo o que eu precisava, nesse dia lindo e cinzento... Um chuvisquinho cai do lado de fora da janela e eu nem vejo. Aqui dentro só tem fumaça, ar pesado. Algumas vezes, é difícil respirar. Mas tenho que agüentar, abstrair e esquecer. Né? Queria um desvio dos sentidos agora, ou uma máquina de teletransporte. Ou um DeLorean. Telepatia. Telefone sem fio. Transmissão de pensamento. Queria ser mais, e ir mais longe, sempre. Para ter gostinho de coisas novas, ou reinventadas, ou criadas na insconsciência dos momentos trôpegos, ou evoluídas das coisas que não vemos. Criar frases sem verbos, sem nada. Entrar no pensamento como uma novidade, sem limitações, e ir, ir mais, e descobrir tudo. Às vezes, vai-se tão rápido que nem é possível falar. Verbos para quê? Sentir às vezes pode ser tudo o que é necessário.Quanta ambigüidade que existe, e quantos sentidos.

(Parei por aqui senão posso estragar tudo! Deixa os verbos todos para lá... No canto! Outra dimensão do meu pensamento...)

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Muito bom o texto...
É incrível como vc escreve bem...
Não sou de ler blogs, mas esse eu vou tentar ler as vezes... pois gostei...
Fora q gosto muito de vc e da Letícia...
B-jos nos corações de vcs...

10:56 PM  
Anonymous Anônimo said...

Ana! ficou lindo mesmo! adorei... As vezes se sentir um nada é melhor do que se sentir tudo... Ser tudo dá remorso. Dor de cabeça, problema e inveja. Ser nada é só o que somos, uma parte de uma célula... um grande nada, prepotente o suficiente pra de vez em quando achar que se é tudo.

8:12 PM  

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