Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Novos pensamentos, novas metas

Foi por pouco, mas ainda não foi dessa vez que esse blog virou exclusivo da Aninha. Não vinha escrevendo um pouco por falta de tempo,de assunto... Um pouco por preguiça e um pouco por meu pai não ter pagado a internet, portanto desculpas feitas (mesmo sem saber ao certo se alguém irá ler).
Cá estou eu, novamente...
...
Um pouco da poesia se foi, e cada vez mais o cotidiano se firma, cria raízes... Me prende.

Não posso dizer que estou infeliz. Estou muito feliz na realidade, mas as vezes me assusto e penso no que realmente sou, e no que estou me tornando.

Não estou indo contra mim. Não agora. Não mais. Os sonhos ainda estão dentro de mim, porém estou passando pela síndrome da realidade. Simplesmente meus sonhos não vão se tornar reais de um dia pro outro após um alvorecer mágico.

Estou sonhando mais do que nunca! Essa é a realidade! Tenho planos e os meios para chegar até eles em minhas mãos! Nunca foi tão simples! É só querer de verdade e não ficar reclamando que a vida não vale de nada.

Eu cheguei a conclusão de que tive apenas duas fases em minha vida e fiquei pulando de uma pra outra, achando que estava mudando alguma coisa. Hoje tudo é muito melhor. Hoje mudei. Pulei para outra árvore. Nessa eu sou somente o que eu sou de verdade, não aquilo que eu acreditava ser pelo que falavam de mim, e pelo que queriam que eu fosse. Hoje respiro sozinha, sou sozinha e pretendo ser por muito tempo. Nunca me senti tão livre na vida, tão cheia de esperanças e sonhos, tão cheia de mim mesma.
Realmente precisava disso.
Tenho que agradecer a todo mundo por isso.
Obrigada, do fundo do coração.
Letícia

Sexta-feira, Setembro 02, 2005

Vida é música... ou música é vida?

Uma música para começar bem a sexta-feira. Ouvi essa pela manhã, e já pensava em postar! Quando vejo, o Rafael já havia postado em seu respectivo blog. Mas tudo bem... Nós andamos mesmo com essa mania de roubar música de blogs alheios. Mania saudável, diga-se de passagem... =)

Aliás, eu ando muito musical ultimamente, como já escrevi em algum canto desse mundo virtual. Todos os dias eu tenho uma letra de música no melhor estilo "tudo a ver com hoje" para postar. Tem dias em que há mais de uma, até. Ontem foi dia de descoberta de novas músicas, apresentadas por amigos muito queridos! Aí lá vou eu para aquele papo de sempre... Da poesia do cotidiano... Da graça das pequenas coisas... Mas me diz... Não é isso que torna tudo lindo? Se fosse preciso um monte de grandes acontecimentos todos os dias, ninguém ia ser feliz nunca. Por isso que eu repito, que a graça da vida está nas pequenas coisas, pequenas descobertas. Mundo novo a cada dia, embora ele continue sempre o mesmo, agente e espectador da vida de todos nós.

Chega de escrever e vamos à música...

_____________
Condicional
Los Hermanos

Rodrigo Amarante

Quis nunca te perder
Tanto que demais
Via em tudo céu
Fiz de tudo cais
Dei-te pra ancorar
Doces deletérios

E quis ter os pés no chão
Tanto eu abri mão
Que hoje eu entendi
Sonho não se dá
É botão de flor
O sabor de fel
É de cortar

Eu sei é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
O que eu preciso é lembrar e ver
Antes de te ter e de ser teu, muito bem

Quis nunca te ganhar
Tanto que forjei
Asas nos teus pés
Ondas pra levar
Deixo desvendar
Todos os mistérios

Sei que tanto te soltei
Que você me quis
Em todo o lugar
Li em cada olhar
Quanta intenção
Eu vivia preso

Eu sei é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
O que eu preciso é lembrar e ver
Antes de te ter e de ser teu
O que eu queria o que eu fazia o que mais?
E alguma coisa a gente tem que amar
Mas o que não sei mais

Os dias que eu me vejo só são dias
Que eu me encontro mais e mesmo assim
Eu sei também existe alguém pra me libertar

Terça-feira, Agosto 23, 2005

Uma terça... Esta terça!

(Ainda tem alguém aqui, além das moscas?)

Hoje, eu começo do nada. Parto do princípio: "the world has more for you than it seems". Não dá para viver bem, ser feliz, sem saber que ainda há muito por fazer. Então, hoje eu acho que tenho muito o que fazer. O que exatamente eu não sei. Vou vivendo e seguindo meu rumo. No que vai dar, não sei. Mas para que saber? Há muitas surpresas agradáveis no meio do caminho (outras nem tanto). Ainda há muito o que aprender, observar. Falar, sentir, esperar, pensar, sorrir, descobrir. Chorar também, por que não?

Então estou partindo do princípio. Descubro o hoje, e descobrirei o amanhã. O ontem já ficou, boa lembrança. Deixe estar. Saber-se em um novo mundo a cada dia, mesmo que este seja o mesmo de ontem, e antes de ontem, e antes de antes de ontem, porque coisas novas acontecem todos os dias.

Então parto do princípio. Vejo o mesmo filme velho de ontem com outros olhos. Escuto a mesma música de antes com novos sentimentos. Admiro a mesma gargalhada de ontem com muito mais intensidade. Danço a mesma música com um novo sentido. Olho nos mesmos olhos com outros pensamentos. E sigo repetindo, a cada dia, que a graça da vida está nas pequenas coisas.

Sábado, Agosto 06, 2005

Divagando

(Eu devia escrever aqui. Mas não ando o "meio termo" às vezes necessário. E também não escrevi muitas linhas de acordo com a proposta original deste blog. Ou escrevi?)

A idéia, para um futuro próximo, é escrever algumas coisas construtivas. Depois de algumas leituras...

Estou num dilema monográfico! Três opções e nenhuma decisão!

E é só por enquanto!

Uma música para finalizar. Essa mudou o mundo... E em primeiro lugar! hehe


Like a Rolling Stone
Bob Dylan

Once upon a time you dressed so fine
You threw the bums a dime in your prime, didn't you?
People'd call, say, "Beware doll, you're bound to fall"
You thought they were all kiddin' you
You used to laugh about
Everybody that was hangin' out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging for your next meal.

How does it feel
How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You've gone to the finest school all right, Miss Lonely
But you know you only used to get juiced in it
And nobody has ever taught you how to live on the street
And now you find out you're gonna have to get used to it
You said you'd never compromise
With the mystery tramp, but now you realize
He's not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And ask him do you want to make a deal?

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You never turned around to see the frowns on the jugglers and the clowns
When they all did tricks for you
You never understood that it ain't no good
You shouldn't let other people get your kicks for you
You used to ride on the chrome horse with your diplomat
Who carried on his shoulder a Siamese cat
Ain't it hard when you discover that
He really wasn't where it's at
After he took from you everything he could steal.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

Princess on the steeple and all the pretty people
They're drinkin', thinkin' that they got it made
Exchanging all kinds of precious gifts and things
But you'd better lift your diamond ring, you'd better pawn it babe
You used to be so amused
At Napoleon in rags and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

Sábado, Julho 30, 2005

Linha 457

Na vida tudo se aprende... A andar de bicicleta, gostar de verdura, atravessar a rua... Tudo uma questão de costume. Eu, que passo pelo menos três horas do meu dia dentro de um ônibus... TRÊS HORAS, sendo que o dia tem 24hs, passo pelo de seis a oito delas dormindo (quando não muito mais), me sobram, na média 17hs pra viver. Três dessas 17hs eu perco no meu onibus, exatamente 17,64% da minha vida.
Aprendi a gostar de andar de ônibus, e hoje em dia é uma terapia para mim. Aprendi a ler dentro dele, aprendi a me alimentar dentro dele (nada como uma vida regada de jujuba, paçoca e amendoim), aprendi a rir sozinha dentro dele, aprendi a pensar dentro dele, aprendi a observar a vida dentro dele, aprendi a escutar conversas alheias dentro dele, aprendi a escrever dentro dele, aprendi a ter medo e de deixar de ter dentro dele. Muita coisa, ali, sozinha, sendo mais uma apenas.
Tenho a felicidade de ver o Rio e suas cores pela janela, nem ligo pro trânsito quando o ônibus para de frente pro pão-de-açúcar ao entardecer, mil cores! Brinco de fechar os olhos por três segundos, e vejo outra paisagem, com uma cor nova. O Rio em degradê...
Quando volto para o ônibus, percebo que ninguém viveu aquele momento lindo! Todos perderam, se perderam em si, em seus problemas, eu suas vidas... Aquela gorda que entrou cheia de sacolas, rindo e brincando com o trocador, já mudou, já está séria, cansada, acabada. A velha que não se aguenta em pé, continua em pé, e eu continuo fingindo que não a vejo, assim como todos os outros. Brinco de testar a solidariedade das pessoas, até que não me aguento e levanto. Odeio levantar, mas às vezes é necessário. Odeio porque me sinto vulnerável... Passo de observadora para observada. Não gosto.
Os imprevístos me assustam ainda. Não me acostumei com o tipo de brincadeira que os homens fazem uns com os outros, quando são amigos... Sempre tem uma amigo do motorista... Ele xinga, briga, o outro responde, meu coração dispara, até que os dois começam a rir e trocar soquinhos de amizade. Mas me deseqüilíbro pra sempre. Fico tensa e com raiva deles.
Os adolecentes falam demais, gritam demais, tem hormônios demais. As crianças choram e me irritam muito. Mostro a lingua pra aquelas quietas, são as que eu mais gosto. Os surdos-mudos são os mais interessantes. São os que mais falam, falam o tempo todo! O trocador sempre fica pescando até bater a cabeça na janela e acordar com um sustinho, ou até o motorista acordá-lo puxando um assunto qualquer.
Tem sempre alguém cantando baixinho, e batendo os dedos na perna, no rítmo da música. Tem sempre alguém dormindo no ombro do vizinho de banco. Tem sempre alguém quase chorando, sempre alguém quase rindo. Sempre alguém pensando, sempre alguém querendo não pensar. Sempre alguém te observando, mesmo quando você acha que é esse alguém.

Sexta-feira, Julho 15, 2005

Dicas para tornar um dia melhor

Teve um dia em que isso era tudo o que eu queria... Não tive nada, mas pensar a respeito me fez bem. Pode ser que sirva para mais alguém...

* Pegue uma garrafa de vinho, junte alguns dos seus melhores amigos, coloque uma música, e o dia está ganho.
* Em um parque qualquer, corra com os braços abertos até não ter mais fôlego.
* Quando encontrar uma pessoa muito querida, vá correndo até ela e dê o maior abraço do mundo todo.
* Saiba rir de si mesmo, porque aí tudo ao redor fica muito mais divertido.
* Se você estiver fazendo arte, e escrevendo no escuro, pare quando seus olhos começarem a doer. Eles são muito valiosos, e já se cansam por verem e lerem tantas coisas sempre. Tanta coisa que nós nos obrigamos e que nem sempre precisamos.
* Uma mente aberta, uma barraca e um bocado de disposição.
* Pés no mundo. No chão e nas nuvens.

Quinta-feira, Julho 07, 2005

Um pouco de passado

Engraçado eu me sentir assim esquisita e nostálgica por um passado que nem é meu. Vou explicar... Há tempos atrás, ainda moradora do Leblon, a prefeitura providenciou o reasfaltamento de várias ruas, inclusive a minha. Rasparam o asfalto antigo, e surgiram paralelepípedos ocultos debaixo daquela camada já grossa de várias demãos de asfalto. Mas veio a prefeitura e cobriu tudo com asfalto novo, lisinho. Queria que tivessem deixado daquele jeito.

Me veio à cabeça uma época que eu não vivi, lá pelos idos de 1960, quando o meu avô comprou o apartamento de fundos que tinha vista para o mar. Naquela época, o paralelepípedo devia estar ali, acompanhando as árvores da calçada (e a calçada eu não faço idéia de como era). Agora, as casinhas baixas que rodeavam o prédio foram demolidas e deram origem a um monte de prédios grandes, que deixaram o prédio de quatro andares, onde fica o apartamento do meu avô, pequeno, intimidado, mas ainda com seu charme de portaria antiga-modernizada. A vista para o mar do apartamento dos fundos desapareceu por completo. Agora é possível apenas ver os vizinhos deitados, trocando de roupa, janelas fechadas, pessoas enroladas em toalhas, organizando a mudança, fazendo alguma refeição. Preferia a praia... Embora haja um bocado de poesia nas tarefas simples do dia-a-dia. Mas em dias pouco inspirados para as pessoas, nada como ver o mar.

O bom é que o mar continua lá, no mesmo lugar, embora não possa mais ser avistado da janela e a poluição tome conta dele em algumas épocas do ano. Se der vontade, basta caminhar dois quarteirões e lá está ele, com sua imensidão e suas ressacas que vão ao outro lado da rua (nada como o mar do Leblon de ressaca em um dia nublado). Mas ainda acho que o paralelepípedo poderia ter ficado à mostra... É engraçado como as cidades mudam... E as pessoas também. Nem bom, nem ruim... Apenas engraçado...

Cada um tem a sua visão de mundo, e o mundo nem sempre é uma experiência agradável.

Foi isso, ou algo do tipo que eu li. e que se encaixou perfeitamente no meu momento. Cada um tem uma visão de mundo. Eu me esforço pra ver da melhor maneira possível, porém não consigo me limitar a uma visão só.
Só posso me definir com um espelho atrás de mim e outro na frente, somente assim vejo quantas sou, e quantas mais eu posso ser... Dois espelhos pode ser melhor do que qualquer livro de auto-ajuda.
Eu agora, que vos falo, sou a Letícia que tenta pegar todas as experiências vividas nos últimos dias e transformar as sensações em palavras, mas ontem eu era a Letícia que precisava se divertir, ver gente, conversar com amigos. A de antes era a Letícia reclusa, solitária, que apenas precisava de uma folha em branco e uma maquina de escrever antiga para poder ser feliz. Um pouco mais tarde eu me senti completa, dentro de uma Barca, numa incrível travessia Rio-Niterói, onde a única coisa que lamentei, foi ter esquecido a caneta em casa... Fui também aquela que ficou vários minutos admirando uma parede suja e cheia de lodo. Vi beleza nela, vi além da parede, me senti a parede e quase chorei.
Sou forte, sou fraca, depende da ocasião, sou aquilo que você quiser, ou aquilo que mais abomina, dependendo do que pretendo. Sou Louca, Sou a burra mais inteligente do mundo... Sou uma fofura, mas sou também um saco.
Você me vê de um jeito, o outro de outro e eu sou de todos os jeitos, juntos eu um corpo só. E ainda há muitas de mim pra descobri. Já não sou mais aquela do parágrafo anterior... Sou tudo isso, mas mesmo assim ainda sou igual a você.